Trilogia da Matéria

A Trilogia da Matéria foi construída ao longo dos últimos cinco anos e tem como mote central o pensamento sobre a materalidade da vida moderna, do corpo e suas necessidades, da percepção da morte inevitável e da busca pelo prazer neste curto espaço de tempo de nossas existências.
Manifesto Ciborgue (2008-10) aborda a identificação do sujeito contemporâneo com o seu próprio corpo e as possibilidades de transformá-lo e reconstruí-lo a partir das novas tecnologias, a sua decrepitude e inevitável falência. Paisagem Nua (2011) aproxima dois temas aparentemente distantes: moda e morte; reflete sobre a morte, sobre o fim deste corpo, como um evento estético alegórico, e a traduz do único modo como ela parece poder ainda tornar-se visível hoje: como espetáculo. Amérika! (2012) finaliza esta investigação discutindo tudo o que é preciso – ou que imagina-se que o seja – para manter este corpo vivo e saudável, mesmo que através do consumo desenfreado, numa busca incessante pela felicidade estampada, de forma muito colorida e lúdica, em absolutamente todos os produtos.

“…A partir de um texto extremamente engraçado e de alto teor crítico, o diretor Joelson Gusson impõe à cena uma dinâmica refinada e expressiva, com deliciosas pitadas de absurdo, cabendo também ressaltar sua coragem na manipulação dos tempos rítmicos – há cenas sem falas, pausas imensas, mas tudo sempre preenchido por conteúdos perfeitamente apreensíveis…”

Lionel Fischer
Blog do Lionel

“…a morte na passarela de Paisagem Nua é a mesma dos jornais, só que arrumada de terno e vestido elegante, espetaculosa, protagonista, com muito glamour. A morte que não quer te fazer chorar à toa, mas te fazer rir da cara dela… a Paisagem do Dragão Voador, é Nua, porque os cadáveres, a não ser no espetáculo midiático, tornaram-se invisíveis.”

Mariana Barcellos
Revista Questão de Critica

 

“Como um trocadilho muito bem construído, usando a linguagem teatral moderna, Manifesto Ciborgue deixa-nos uma conclusão trágica, majestosamente acompanhada por uma pitada de autoironia. As tentativas de reconstrução e da desconstrução do corpo, a desilusão e a degeneração definitiva.”

Four Days Festival of Prague
Revista Divadelní Noviny