Hotel Brasil

“Estamos todos condenados à prisão solitária dentro de nossa própria pele, por toda a vida.” Tennessee Williams

“O cair da tarde… twilight… comemorar o aniversário num quarto de hotel. Mira ama Orfeu que ama Eurídice, que está morta. Stella ama Stanley, mas eles não amam Blanche. Blanche ama Marilyn. Marilyn e Amy amam Elvis, que só ama ele mesmo. Estão todos tristes no meio do carnaval. Sempre muito ocupados, correndo atrás de fantasmas e reverenciando seus ídolos. Condenados à prisão solitária dentro da própria pele. No final das contas, tudo poderia ser reduzido a um único e simples elemento: a capacidade de amar.”

Três capítulos de triângulos amorosos: um casal espera uma mulher com um carregamento de drogas, esta revela-se a antiga amante ainda apaixonada pelo jovem rapaz. O capítulo seguinte reúne um escritor falido, sua mulher e a cunhada, que se encontra foragida da polícia. Eles finalmente tomam coragem para mandá-la embora. No terceiro capítulo, durante o carnaval, uma mulher tem a tarefa de convencer seu amante de que sua esposa está morta. Três situações diferentes passadas num mesmo cenário: um quarto de hotel, o decadente Hotel Brasil.

Com nove personagens minuciosamente construídos a partir do estudo sobre vários ícones culturais — – Blanche Dubois, Stanley e Stella Kovaslky, Elvis Presley, Marilyn Monroe, Amy Winehouse, Orfeu, Eurídice e Mira — – “Hotel Brasil” é dividido em três capítulos (ou atos) construídos sobre uma mesma “marcação” cênica. Os atores repetem as mesmas ações, com diferenças sutis em cada um desses capítulos. Assim cria-se a ilusão de se estar vendo as mesmas pessoas com diferentes facetas. Ou os mesmos temas em diferentes culturas. Ou ainda de estar-se vivenciando um tempo elíptico.

A ação se passa num quarto de hotel localizado em algum lugar no Brasil, morada temporária que pode ser desfeita a qualquer instante, assim como as relações que ali se estabelecem. O espetáculo fala da fragilidade dessas relações, do amor passional e de situações aparentemente estáveis e felizes. A dramaturgia propõe um universo bem estreito, quase claustrofóbico e muito rico em detalhes, que levam tanto os personagens quanto o espectador a pensar: “como foi que chegamos até aqui?”.

“Hotel Brasil” é a encenação de histórias que trazem em si a tragédia decorrente do embate entre os sentimentos naturais e as convenções sociais. Seus personagens procuram reafirmar sua condição humana lançando um último desafio à realidade, onde, cada um deles, tem uma pequena ideia do caminho que se quer seguir — e quais atitude têm de tomar em consequência disso. Mas eles não fazem realmente escolhas. São incapazes de ver outras soluções, pois estão possuídos por um acúmulo de sentimentos como amor, desejo e vingança.

O cenário de Joelson Gusson, os figurinos de Paula Stroher e luz de Tomás Ribas vestem estes personagens da nudez (e do vazio) impessoal deste quarto de hotel.

Ficha Técnica:

Direção e Cenografia:  Joelson Gusson
Concepção e Trilha sonora: Alan Pellegrino, Elisa Barbato, Joelson Gusson e Luisa Friese.
Atores: Alan Pellegrino, Elisa Barbato e Luisa Friese.
Dramaturgia: Joelson Gusson com a colaboração dos atores.
Iluminação:  Tomás Ribas
Figurinos:  Paula Stroher
Fotografia: Paula Kossatz
Maquiagem: Vanessa Andrea
Cenotecnico: Mineiro
Programação Visual: Evee Ávila, Balão de ensaio
Assessoria de imprensa:  Christovam de Chevalier
Produção Executiva: Aline Mohamad
Direção de Produção:  Aline Carrocino, Alce Produções
Realização: Dragão Voador Teatro Contemporâneo e Luisa Friese