O Príncipe de Copacabana

Direção de Gerald Thomas, com Reinaldo Gianechinni e a Cia de Ópera Seca

Carnescultura

de Joelson Gusson para O Príncipe de Copacabana. Concepção de Gerald Thomas e fotos de Nelson di Raggo.

CRITICAS

Estadão

“O Príncipe de Copacabana” estréia no Rio

O Príncipe de Copacabana mora em Ipanema, se diverte no Leblon, mas, na verdade, é paulista. Ele só tem ido à princesinha do mar nos últimos meses porque ensaia um espetáculo com este título, dirigido e escrito por Gerald Thomas, parodiando Hamlet, o príncipe da Dinamarca, de Shakespeare, que estréia sexta-feira, no Teatro Sesc Copacabana. A versão brasileira do atormentado nobre medieval vai ser vivida por Reynaldo Gianecchini, que ficou nacionalmente conhecido no ano passado, quando viveu o galã Edu, na novela Laços de Família, da “Rede Globo”. Em teatro, é o primeiro papel de protagonista do ator, ex-modelo, que já fez pontas em Cacilda e Boca de Ouro, peças de José Celso Martinez Corrêa. Ele contracena com Paula Burlamaqui e nove atores da Companhia de Ópera Seca. Gianecchini disse que, a princípio, estranhou o método de trabalho do autor/diretor, que não tinha um texto pronto até o lançamento do projeto, na terça-feira. Reynaldo Gianecchini confessou que, desde fevereiro quando começaram os ensaios, a dúvida sobre o futuro da empreitada de estrear como protagonista no teatro com Thomas freqüentou com insistência sua cabeça. Mas nunca pensou em desistir. “No fim, é legal porque a gente vai se desconstruindo e o Gerald acaba por tirar o melhor de nós.” Paula também trabalha com Gerald Thomas pela primeira vez e não esconde sua angústia por ter ensaiado o tempo todo sem um texto ou mesmo uma história definida. “Eu fico sem saber que roupa vou vestir”, disse ela, que tampouco economizou elogios ao diretor e autor. “O problema é que o Gerald é contra o naturalismo em cena e corta tudo que a gente faz nesse sentido. E ele exige uma entrega total do elenco, todos juntos no mesmo projeto, para ninguém dançar individualmente.” Gianecchini conheceu Thomas por intermédio da jornalista Marília Gabriela, que viaja pelo Brasil com a peça Esperando Beckett, que ele escreveu e dirigiu ao ser impedido por problemas de direito autoral de montar o dramaturgo irlandês que morreu em 1989. “Eu estava num momento de tormenta porque a popularidade do Edu tinha revirado minha vida”, lembrou o ator. “Perguntei o que ele achava das propostas de teatro que havia recebido e Gerald disse que todas eram ruins, que eu deveria estrear com ele.” No palco, Gianecchini não vive exatamente um personagem, mas interpreta a imagem pública construída em sua curta carreira de ator, profissão também do protagonista de O Príncipe de Copacabana. O rapaz é seqüestrado por um grupo de atores liderados pela personagem de Paula Burlamaqui e por aí se desenvolve a história.

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