Trans_se, dispositivo cênico, misto de monólogo, peça instalação, desfile de moda, palestra sexualizada, première cinematográfica undergound e show travestido da alta madrugada, é a nova pesquisa cênico_dramatúrgica dos diretores performers Joelson Gusson e Daniela Amorim.

Trans_se é o imperativo da liberdade de gênero, da liberdade familiar, da liberdade mundial. É um ato de auto-exposição, de auto-flagelação e de auto-ridicularização catártica. Uma ordem exclamativa que se quer viral, como um feitiço cibernético que libera imediatamente de todos os preconceitos, culpas e travas aquele que o lê, ouve ou vê. Assim como tudo o que foge do conceito do papai-mamãe este trabalho encontra-se na fronteira do ser-ou-não-ser hamletiano, que aqui poderia ser transposto para um assumir-ou-não-assumir as suas próprias vontades e dores.

Esta cena que aqui propomos, também ela, como o nosso assunto abissal, é fronteiriça e desencaixada, experiência a ser suportada por ouvidos incautos e olhos velados de preconceito; ou… um libelo a ser festejado, carnavalizado e canibalizado pelos marginais.

Performando: a diva-punk-roqueira, mundialmente conhecida como Esmeralda de los Niños, drag furtiva criada por Gusson para comemorar os seus 40 anos no seio de sua família ultra católica conservadora Benta XVI. Saída dos confins da Mata Atlântica, onde quer que ela ainda exista, vive hoje em Copa na companhia de sua pantera adestrada Fára Fáuceti e é especialista em se dar mal.

Escrevendo: as mãos hábeis de a de sexóloga, vadia e mãe exemplar, e Gusson, que decide se tatuar agora para não ficar para trás.

Inspirando-nos: A Lenda das Jaciras de Caio Fernando Abreu; O Evangelho Segundo Jesus, a Rainha do Céu, da dramaturga transexual escocesa Jo Clifford; os estudos psicanalíticos de Marco Antonio de Coutinho Jorge sobre todas as bichas que foram enlouquecidas pela sociedade (NijinskiArtaud e tais); os figurinos de Jean Paul Gaultier para os shows da Madonna e Rogéria, é claro.

Expondo-nos: a intolerância geral, o espancamento moral e carnal que o Brasil brasileiro, tão enraivecido e eticamente empobrecido, nos dá a todos às bofetadas, pauladas e golpes dartvadeanos de lâmpadas fluorescentes. Mas além de tudo isso a força incondicional do amor que a tudo trans-passa, trans-borda.

O resultado disso, uma conversa franca, despudorada, politicamente incorreta… talvez, mas certeira e cortante, que desvela e expõe o risco que corremos, todos, do terrível estado de exceção que se avizinha. Um encontro performado por Joelson Gusson, escrito por Daniela Amorim, dirigido pelos dois e estreado no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto no ano de 2016, e quiçá, se tudo der certo, também arrasando na Praça Roosevelt.

Ficha Técnica:

Dramaturgia, Direção e Direção de Arte – Daniela Amorim e Joelson Gusson

Performance – Joelson Gusson

Figurinos  – Paula Stroher

Iluminação – Paulo Cesar Medeiros

Visagismo – Rafael Fernandez

Direção de Movimento – Antonio Rodrigues

Preparação Vocal – Jorge Maia

Programação Visual – Evee Avila

Trilha Sonora – Biltre

Assessoria de Imprensa– Christovam Chevalier

Fotografias – Paula Kossatz

Produção Executiva – Igor Veloso

Direção de Produção – Aline Carrocino